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<<O futuro da morte

14/10/2015
Não é novidade para ninguém que a morte pode ser um negócio muito lucrativo e muitos têm pensado nela exatamente assim: como um negócio.
Por outro lado, há quem queira ver a morte como algo mais além do óbvio. Tornar a morte mais sustentável é o objetivo das iniciativas que lhe damos a conhecer. Há ainda lugar para alguma criatividade e surpresa.
Urnas com sistema de som
Não! Não é uma invenção de terras chinesas, como dizia um dos entrevistados pelo Até Sempre quando questionado sobre o tema.
É uma empresa sueca que pela mão de Frederik Hjelmquist teve esta ideia. O empresário, grande apreciador de música quis poder usufruir da sua paixão “neste mundo e no outro”.
A urna é ligada por cabos a um sistema de som que fica fora da campa ou jazigo. Esse sistema tem ligação à Internet via 4G e é programado por amigos e familiares. Quer dizer… Se não confiar nos gostos músicas dos seus amigos pode deixar uma lista de músicas programada que toca infinitamente.
Por 23.500€ pode adquirir esta inovação e desfrutar da sua playlist esteja onde estiver.

“Cápsula Mundi”
Árvores em vez de lápides é a ideia desenvolvida por investigadores italianos, que sugerem a criação de cemitérios ecológicos.
O método passa por transformar corpos em decomposição em árvores. Este caixão ecológico é constituído por materiais biodegradáveis e tem um formato oval. O corpo é colocado numa posição fetal dentro da cápsula, enterrado e posteriormente é colocada uma planta no local.
A escolha da árvore cabe à pessoa antes do falecimento, ou aos familiares. O papel da família torna-se crucial neste processo já que a árvore deve ser regada e cuidada com frequência.
A investigação concluiu que se abate de uma árvore, que demora 30 a 40 anos a crescer, quando se compra um caixão. Desta forma, a “Cápsula Mundi” pretende contrariar este fato e plantar árvores, ao invés de as destruir.
O projeto sugere portanto a criação de “parques de memórias”.

“Bios Urn”
Este conceito assemelha-se à “Cápsula Mundi” embora seja resultante das cinzas, fruto das cremações.
A “Bios Urn” sugere que após a cremação, as cinzas resultantes sejam também transformadas em árvores.
O design e os materiais biodegradáveis da urna pretendem uma germinação adequada à semente e o crescimento da árvore. Isto é, a semente germina no topo da cápsula, separada das cinzas. Quando a urna começa a biodegradar-se as raízes já estão fortes para entrar em contato com as cinzas, e posteriormente com o sub-solo.
Esta é mais uma alternativa sustentável para relembrar as pessoas falecidas. A “Bios Urn” já começou a dar os primeiros passos em Portugal.

“Urban Death”
Ou seja, “Morte Urbana” é um projeto desenvolvido pela arquiteta Katrina Spade, que pretende criar um edifício onde se colocam os corpos de pessoas falecidas, a fim de se transformarem em adubo.
Parece uma opção estranha?
Esta nova opção quer solucionar de forma sustentável o excesso de corpos nos mais diversos cemitérios espalhados pelo mundo.
A compostagem, ou seja a produção de fertilizante para as plantas, é um processo que não tem contra indicações, de acordo com a Urban Death Project. De tal modo, a proposta consiste na possibilidade dos familiares poderem levar para casa parte do material obtido através da compostagem humana e usá-lo com adubo no que desejarem.
A autora do projeto defende que “as pessoas pensam apenas em cascas de banana e borras de café (quando se fala em compostagem humana), mas os nossos corpos também têm nutrientes”.
Para este efeito, o corpo, com a ajuda de micróbios, é completamente decomposto, produzindo fertilizante e qualidade para as plantas.
Segundo os responsáveis pelo conceito, esta é uma forma de “contemplação do nosso lugar no mundo natural e um ritual para nos ajudar a dizer adeus aos nossos entes queridos.”
